sábado, 28 de novembro de 2009
365
Os dias não se passaram desde aquele.
Às vezes acredito em milagres.
Peço que o sol não suba.
Que o planeta interrompa seu curso natural.
Viro assim a ampulheta do tempo.
Todo caminho é inóspito.
Qualquer caminho chegaria ao mesmo fim.
Desejo emoldurar o momento mais lindo.
Uma lembrança pode conter uma biografia.
O tempo poderia parar num sorriso.
Seu sorriso expande abrigo.
O tempo poderia parar numa lágrima.
Lágrimas são as chaves da alma.
Poderia parar numa canção de amor,
Versos roubados dos entrelaçados olhares.
Poderia parar enquanto um filme era a lei,
O café era vício,
Quando o sonhar era junto
E despedir-se, saudade.
Poderia parar ao dormir abraçado.
No passo apressado num passeio de mãos dadas.
No momento exato que te encontrei.
Ou no momento errado que te perdi.
Mas, das lembranças mais lindas,
Nenhuma me dirá o quanto fui feliz
Como o instante em que seus olhos fechavam ao sentir o cheiro de minha boca...
domingo, 20 de setembro de 2009
Devaneador
Somos o mesmo personagem em mil fábulas
Crônicas
Rabiscos
Somos nós em cada canção
Em todos os tons
Em todas as línguas
Somos nós em cada silêncio
Nas orações das beatas
No sorriso bobo do gozo
A lágrima borrada do Pierrot
Somos nós nas bandeiras tremulantes
Dos peitos dos generais
E na máquina de escrever enrijecida de ausência
Somos nós nas calçadas entulhadas
Nas abas dos chapéus
Nas pontas dos cigarros
Nos discos arranhados
Nas cartas não escritas
No afago rejeitado
Somos nós estirados nos bancos da praça
E em cada gole de cachaça
Somos nós nas vitrines embaçadas
Nas vitrines estilhaçadas
Nas vitrines recolocadas
E na suspeita simpatia dos vendedores
Somos nós nas fotografias de paisagens
Nas linhas traiçoeiras dos contratos
Nas xícaras intermináveis de café
E nas mensagens subliminares dos sonhadores
Somos nós na cegueira da culpa
Nas pernas dos covardes
E no escárnio dos intrépidos
Somos nós o dedo no gatilho
E o próprio alvo
A idéia perdida nas avenidas ensolaradas
A juventude perdida nas avenidas ensolaradas
A saudade e a despedida nas avenidas ensolaradas
Somos nós a saudade
Somos nós a saudade
Somos nós a saudade
O choro abafado
O travesseiro encharcado
As noites em claro
Somos nós a insônia
E agora somos nós de frente pro espelho
Um olhar envolve o outro
Somos nós o que somos
E assim já não somos mais...
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Das diferenças
Escolhi um trabalho em que meus frutos não me alimentam, mas não são estranhos a mim.
Meu fruto sou eu disseminando, disseminado.
Minha arte é minha vida e pertenço a ela.
Não pretendo ser meu próprio assassino.
Mas se meu sangue fraquejar, se já não houver saída...
Aos nossos filhos
Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...
Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...
Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...
E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...
E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...
Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...
Digam o gosto pra mim...
De Ivan Lins e Vitor Martins
(...) quando já não puder mais sentir o sabor, quando perder o direito de fechar os olhos e abrir as portas, atendam ao pedido deste simples menino e digam o gosto pra mim, digam aos nossos filhos que já fui pássaro, que já fui flor, mas digam que ainda não fui...
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Essencial
Já escrevi versos e prosas de teor digno de doutor, de homem culto, assim como esbocei migalhas poéticas carregadas da verdadeira força de meus sentimentos.
Escrever poesia não faz de você um poeta.
A inteligência não faz de você um poeta.
Repito tais palavras diante do espelho sempre que penso no que sou.
Minha história diz:
- És poeta.
Mas minha história não se olha no espelho, nem se pergunta o que ela é.
No fim, é só mais uma história...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
O poeta
Quando o poeta sai à rua
Logo ela se mostra tão sua
Logo ele dá seu parecer
Como quem quer viver
E nas suas voltas pelas curvas
Coisas se encaixando como luvas
Coisas que não sabe entender
Só não sabe porquê
Ele que só sabe, então, se perguntar
Como sua vida segue ao deus dará
Fecha os seus olhos pra voltar a ser
No amanhecer
Vai se entrelaçando entre os hábitos
Cai na rua feito os gatos pálidos
Desejando ao outro o seu penar
Quando sua reza não o ajuda
Pensa no seu ódio, em sua luta
Pensa em pensar em esquecer
Como quem quer morrer
Sonha com pecados e se multa
Topa em suas pernas e se insulta
Topa qualquer coisa pra saber
Porquê tanto sofrer
Ele que não sabe, então, se perdoar
Come sua vida e segue ao deus dará
Fecha os seus olhos pra não se perder
E ele vê
Que os carros da avenida são tão rápidos
Bárbaros sensíveis como os sábios
Desfilando louco à beira-mar
Então vai ler
Escrito nos seus versos mais inválidos
Todos os segredos dos culpados
Pelo medo de não ter com quem chorar
Esta poesia é uma canção, escrita já há alguns anos, mas que ainda mexe comigo...
Gostaria de ter escrito coisas inéditas, coisas que estou vivendo, mas seria um tanto cruel com quem me fez muito mal nos últimos dias.
Dedico esta poesia para meus novos dias de sonho, para acender o que tanto me nego.
Pessoal dos blog's de quinta, olha eu chegando!!
terça-feira, 21 de abril de 2009
Um bom filho...
Após uma longa pausa propositalmente improdutiva, assimiliando mundos que sempre quis degustar, voltarei a expor de forma regular aquilo que escrevo, que canto, que sinto.
A partir de amanhã, seguirei com a rotina de um antigo projeto, que ainda não convém revelar.
Prometo-me disciplina, disposição e sinceridade.
Escritos dedicados...
sábado, 27 de dezembro de 2008
Confissão
E isto não é nenhum sacrifício, mas talvez signifique minha salvação.
Assim mesmo, limpo e seco?
Exatamente.
Por enquanto, minha alma e corpo só me permitem confessar até aqui. O resto, se assim me for permitido, será lentamente exalado por mim neste blog, que consistirá no diário poético de um pássaro ou de uma flor...
Coloco-me diante do espelho e vejo meu pai.
Preciso ir agora, dar uma volta e descansar...
